Visita de Bolsonaro à Bahia acirra tensão com governadores do Nordeste

ESTA é a segunda vez que Bolsonaro vem ao Nordeste desde que assumiu. A primeira ocorreu em maio, no Recife

gendada para hoje, às 11 horas, a primeira visita de Jair Bolsonaro (PSL) à Bahia depois das eleições de 2018 marca também mais um episódio de desgaste entre o presidente e governadores do Nordeste. Agora, com o chefe do Executivo estadual baiano, Rui Costa (PT), que desistiu de participar de evento de inauguração do Aeroporto Glauber Rocha ao lado do pesselista.

Em entrevista ao O POVO, Costa acusou Bolsonaro de transformar a inauguração do equipamento no município de Vitória da Conquista (a 518 km de Salvador) em um evento político. “O que pesou para minha desistência foram as sucessivas grosserias por parte do presidente Jair Bolsonaro e do Governo Federal”, disse o petista.

Três dias depois de haver chamado os nordestinos de “paraíbas”, termo pejorativo, Bolsonaro restringiu a festa de entrega do aeroporto, cujas obras começaram ainda em 2010, no fim do governo Lula (PT), e se estenderam até o ano passado, segundo informações do Governo da Bahia.

Ao todo, a construção consumiu R$ 106 milhões — R$ 75 milhões do Governo Federal e R$ 31 milhões de contrapartida da gestão local. Depois das mudanças, que ampliaram pista de pouso e terminal de passageiros, o aeroporto passou a ter capacidade para 500 mil usuários por ano.

Convidado a participar do evento, Bolsonaro aumentou a lista de convidados para 600 e fechou o acesso ao local, antes permitido para qualquer pessoa. Desse número, apenas 100 seriam de indicação de Costa. O presidente também eliminou referências ao Executivo estadual em placas que aludiam à finalização das obras.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), “o presidente montou uma arapuca para o governador da Bahia na inauguração”. O parlamentar petista avalia que a intenção de Bolsonaro era “tentar gerar constrangimento” para o colega de partido.

O senador acrescenta que a postura do pesselista pode ampliar ainda mais sua rejeição nos estados do Nordeste. “Essas declarações nos tratando todos como ‘paraíbas’, por exemplo, mas também a posição de orientar os seus auxiliares a não dar qualquer tipo de suporte ao estado do Maranhão: isso é uma discriminação. A rejeição do nordestino em relação ao Bolsonaro só aumenta”, concluiu.

Deputado federal pelo PT, o cearense José Guimarães afirma que a viagem de Bolsonaro ao Nordeste, a segunda desde que assumiu a Presidência, “é uma provocação à Bahia” e que o aeroporto “foi obra do governo Dilma e terminada no governo Temer”. Segundo ele, “o mínimo que o governador Rui Costa poderia fazer seria não ir”.

Alvo de crítica de Bolsonaro, o governador Maranhão Flávio Dino (PCdoB) se manifestou sobre o assunto. Em entrevista ontem à Rádio O POVO/CBN, Dino assinalou que, “novamente, o presidente elege um método de exercício do governo marcado pela divisão”.

Fonte: O POVO Online