Voluntários fazem 300 toucas de crochê para crianças com câncer

MUTIRÃO foi realizado ontem no café e armarinho Casa Bendita inguém é feliz vivendo para si mesmo. Um rio não bebe a própria água. Uma árvore não come o próprio fruto”, parafraseando discurso do papa Francisco, a empresária Auxiliadora Félix, 52, abriu as portas da Casa Bendita, no bairro Meireles, em Fortaleza, para aproximadamente 100 voluntários, em sua maioria mulheres, confeccionarem gorros de crochê e lã para doarem a crianças diagnosticadas com câncer da Associação Peter Pan. A ação é organizada pelo grupo Cabeça Feita.

O encontro Tecendo Amor ocorreu na manhã deste domingo, 6. Entre agulhas, linhas e bordados, os participantes compartilhavam as histórias sobre a doença e o capricho em ajudar os mais novos que enfrentam o câncer e a dificuldade de arcar com as despesas do tratamento. Uma ação paliativa, mas importante para levar o sorriso aos pequenos.

“É uma realização pessoal de tamanha felicidade e alegria. Viver só para si é uma vida muito vazia. A gente, como empresário e pessoa, precisa ajudar a comunidade onde vive. É como uma colcha de crochê (a sociedade). Se tiver um buraco, ela vai se desfazer”, considera Auxiliadora. A empresária conseguiu 300 novelos com a Coats Corrente, indústria têxtil, e doou outra centena.

A expectativa da anfitriã do evento é produzir até 300 gorros com o material. Ela detalha que cada novelo pode resultar em uma toca. No entanto, se a peça for destinada a crianças mais velhas pode consumir até duas unidades do material. “Se não conseguir agora, procure o projeto e ajude. Ainda vai ter muita linha, só precisa de uma mão para tecer”, convida.

Diagnosticada com câncer de mama em 4 de julho deste ano, a psicóloga Fátima Noronha, 65, marcou presença no evento, após convite da Auxiliadora, e aproveitou para estreitar os laços com outras companheiras. “Resolvi me engajar para ajudar crianças que precisam de apoio nesse momento tão importante da vida delas”. Fátima esbanjou estilo com uma touca cinza marcada por pérolas brancas.

Uma das idealizadoras do Cabeça Feita, a aposentada Nagélia Leite, 68, espera atender mais crianças e conseguir mais voluntárias para participar do projeto. Ela destaca a necessidade de ampliar a ação, já que pelo menos 150 crianças são atendidas diariamente na Associação Peter Pan. A iniciativa começou com cinco pessoas. Hoje, conta com quase 40 integrantes.

“Me envolver com problemas que não são meus, me ajudou muito. Eu já tive quatro diagnósticos de câncer. Isso me dá uma força muito grande. Você vê que o diagnóstico de uma doença dessa não é muita coisa na frente do que muita gente tem de passar. Quem vem do interior, não tem onde ficar, não tem condições de custear tratamento, tem de depender do tempo e da disponibilidade do SUS (Sistema Único de Saúde)”.

FONTE: O POVO ONLINE